Lendas

A LENDA DO CALÇA MOLHADA

Contam os antigos moradores da região amazônica, espalhados pelos beiradões do Rio Amazonas e seus afluentes, em cidades e povoados movidos por crenças que surgiam da fértil imaginação do povo, principalmente nos momentos de piores situações que os faziam criarem fatos horripilantes, como o do: “calça molhada”.
Figura que aparecia do nada, da margem de rio, altas horas na noite, para passear nas festas... Só se ouvia o barulho do esfregar das calças molhadas passando próximo das casas e das pessoas, porém, nada se via.
Essa figura, invisível permanecia junto do povo nos bailes, no meio do salão como se estivesse dançando e depois voltava para o mesmo lugar de onde tinha vindo.

A curiosidade era tamanha, mas, ninguém tinha coragem de segui-lo, ficando somente o comentário do dia seguinte, de que na noite anterior, o calça molhada tinha passado por ali e assim como os festeiros, ele também havia curtido bastante a noitada.
Minha avó disse que ouviu o barulho do esfregar das calças ao passar em frente à sua casa e ficou aterrorizada; chamou vovô para que permanecessem juntinhos até que se afastasse o horripilante fantasma, como o chamavam. Quando nos contavam, nossos cabelos arrepiavam de medo e já não tínhamos mais coragem de sair de casa, principalmente à noite.

Não era todo tempo que se ouvia o passar do “calça molhada” no povoado, mas, todo período de festas, principalmente quando noites de lua cheia, podia contar, acontecia a mesma história. A juventude dizia não ter medo, os desavisados se assustavam e os crentes da situação já sabiam que, essa seria mais uma daquelas noites que não dormiriam.
Certa vez, uns metidos a corajosos, se reuniram para desafiar o vulto. Conseguiram água benta, alho, crucifixo, terços e algumas pingas. Naquela noite se prepararam na casa de alguém que morava próximo de onde ele subia e ao perceberem o barulho de calça molhada, seguiram. Uns fazendo orações, outros, debaixo da cana, começavam a esbravejar pedindo que se espírito do bem ou do mal, deixasse aquele lugar e que fosse buscar seu descanso noutro plano, pois acreditavam ser alguém que já partiu desta pra melhor e que não queria se contentar com seu destino. Começaram a gritar em alta voz, jogar água benta e alho. De repente ouviram um barulho muito estranho que não souberam explicar, parecidos com um assovio, um grito agudo, ou um berro que fez todos se apavorarem e voltou no rumo deles com um levantar de ventos empurrando folhas e poeiras. As pessoas que lá estavam caíram no chão, amedrontados e, o vulto passou no meio deles gritando, desembestando-se no rumo da beirada.

Dizem que ele ainda andou visitando outros lugares durante muito tempo, porém, acho que depois desse susto, ele foi descansar em paz sua morte ou está por aí em alguma parte assustando muita gente.

Autor: Paulo Sérgio Sá
Data: 01 de novembro de 2011
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